A semana que inicia novembro, antevéspera de feriado, será uma das semanas mais aguardadas enfurecidamente pelos 5 milhões de estudantes que realizaram, nos dias 22 e 23 de outubro, a prova do Enem2011. Estudantes indignados com os problemas na aplicação das provas, põem em dúvida a confiabilidade do sistema, já que não é a primeira vez que isto acontece. Em 2009, o sistema de avaliação implementado pelo Ministro da Educação, Fernando Haddad, apresentou as falhas também no período de aplicação.
Neste ano, o problema na aplicação das provas teria surgido a partir da denúncia de alguns alunos ao Ministério Público do Ceará sobre o vazamento de 14 questões, aplicadas no Colégio Christus, em Fortaleza, semanas antes da prova oficial. Sem perder tempo, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) se pronunciou, através de Haddad, impreterivelmente contra a ação do colégio, alegando que “o governo tem a convicção de que dois dos 36 cadernos de pré-testes do Enem foram reproduzidos e distribuídos aos alunos pelos professores do Colégio Christus, em Fortaleza.”
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Obviamente, é de bom tom que o Pôncio Pilatos da Educação encabece a crucificação do Christus, sem esclarecer antes, como estes cadernos foram parar lá. A explicação de Pilatos, digo Haddad, sugere que o Novo Enem só não deu certo ainda por que existem pessoas corruptas no mundo. Aliás, a situação é um bom tema para redação do ano que vem: “Disserte, em 30 linhas, como fazer o seu sistema de indulgência política funcionar, sem base e sem estrutura, em até dois anos. Apresente pontos prós, contras e, principalmente, uma solução”.
Para deixar o caso ainda mais polêmico, os estudantes do Ensino Médio da maior parte do país (CE, GO, MG, PE, RS, RJ e SP), no auge da maturidade política, resolveram protestarnas ruas, no horário das aulas. Sem medo de levar faltas, ou reprovar por elas, os alunos difamaram diretamente Haddad e o seu sistema quase-perfeito de avaliação. Chateado com a atitude de seus meninos, acredito eu que, o Ministro cortará a média de todos os alunos e não aceitará as faltas por justificativa. Logo, se todos reprovarem, a culpa não será mais do Enem.
Ladainhas a parte, o fato é que o Ministério Público do Ceará não acreditou muito na diplomacia do inteligentíssimo Ministro e deu um prazo de até 72h, isto é, até segunda-feira (31), para que o Inep, autarquia do Ministério da Educação responsável pela organização das provas, esclareça o que aconteceu.
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Passado o final de semana com a cabeça fervendo, formulando o que dizer, Haddad terá que caprichar na explicação que deve ao MP e aos alunos de todo o Brasil. Se comprovada a fraude, o exame será novamente cancelado [como em 2009], mostrando a incredibilidade não só do sistema, mas das rédeas do Ministério da Educação.
O Inep terá que marcar novas datas para novos exames, e todo o calendário escolar dos Ensinos Médio e Superior será atrasado. Desta forma, o MEC estará provando que nem o próprio método de avaliação é eficiente, pois, ao contrário do que prega aos alunos, parece que o Ministério não aprende com os erros. Talvez seja a hora do Ministério da Educação rever a verdadeira utilidade deste sistema que, da forma como funciona, está causando mais confusão do que uma unificação.
Quem sabe se o MEC criar um instituto próprio para gerenciar o sistema, assim como CESPE – UNB e a CESGRANRIO, por exemplo? Centralizar o controle das provas, sem os serviços terceirizados pode gerar maior autonomia, e quem sabe, maior segurança ao Ministério. O que não pode é ficar do jeito que está.