Nunca ficou tão expresso pela ocasião dos fatos como nós, homens, somos tomados por nossas regras fajutas de civilização. Estas nos afastam, apesar do que dizem, da verdadeira essência de ser Humano. Comecei o texto bonitinho assim para tentar, primeiramente, me convencer de que nós seres humanos somos presos a condição civilizatória na qual nos metemos para negar nossa origem animalesca (que no fundo é mais humana do que parece). Para ser mais precisa, a questão aqui se forma a partir de situações normais que, garanto eu, qualquer pessoa que por acaso tenha encontrado esse blog já tenha passado.
Escolho o público feminino, que pela obviedade das cirscunstâncias está mais presa às questões estético-sociais do que os machões-alfa ( se bem que pelo andar dos tempos, eles estão mais fru-frus do que elas). Duvido que você, mulher, num dia de sol, indo para a praia, linda, poderosa, não menos gostosa do que a Geise Arruda, se habilitaria a sair da sua contingência deusa-carioca-da-praia por um descuido da natureza, como uma unha quebrada por exemplo.
Até que peguei leve. Para quem vai para praia, de implante sintético louro, pêlos levemente aveludados pelo vol. 40, biquini tomara-que-entre verde-limão-cítrus e uma Ipanema combinando, as unhas não são nada meu bem! Unhas nesse caso, só de porcelana, isto é, não quebram com qualquer mediocridade do destino. Para tirar a mulher (ou o homem) da impunidade civilizatória e chique de ser urbano somente algo muito sem classe como uma dor-de-barriga, por exemplo. Até porque, pessoas civilizadas não cagam. Na verdade, pessoas civilizadas tomam chás desintoxicantes para se livrarem dos resíduos alimentares que as sustentam, que depois evaporam-se discretamente pelo suor embebecido no antitranspirante spray. Pessoas civilizadas, no estilo Geise, que usam o antitranspirante, definitivamente não abririam mão de seu classical style para uma barrocada, quem sabe, no carro mesmo. Isso é cruel. É desumano. E pior: não é civilizado.

Imagina se a pessoa civilizada teria coragem de romper seus métodos de educação para satisfazer sua necessidade de, ora, HUMANA dentro do carro. A civilização não permite isso! A educação nos diz que a hora o e lugar de cagar é em casa. Você que aprenda a regular seu estômago. E se não conseguir, Activa nele!(15 dias ou o seu dinheiro de volta).
Parece até bobeira um tema desses, mas você já se deu conta que a civilização nos mostra que sempre há um lugar, uma hora e um contexto para sermos nós mesmos. E mais, ela nos priva das escolhas entre querer ou não ser civilizado. Quando você está numa condição urbana,você já é involuntariamente urbano. E a sociedade te cobra isso. Quando a tua natureza fala mais alto, você a reprime em nome da tua contingência chiquè. Perdemos a coragem de ser natural, de ser humana. Me diz aí, quantas pessoas você conhece que teriam coragem de jogar um foda-se pro ar e respeitarem a si mesmas? (eu mesma não teria). Sabe aquela frase batida de que ser diferente é normal ? Esqueçam ela. Normal é ser natural e ,se vocês quiserem, é ser digno. Parafraseando o mestre Aldir Blanc : Moça donzela não arrenega um bom cocô!